sábado, 9 de julho de 2016

Um ano de amor - trovas de 01 a 30 de setembro


01

Na intimidade das trovas,

quem penetrar pode achar,

nas rimas, todas as provas

do amor que eu tenho pra dar.

 

02

Um raio de poesia

corta o azul da imensidão.

É a força que principia

no amor do meu coração.

 

03

Plantei semente do amor

no jardim da mocidade.

Nasceu, e a singela flor,

pus na jarra da saudade.

 

04

O mundo geme, entretanto,

no meio de tanta dor.

Eu me escondo sob o manto

destas trovinhas de amor.

 

05

É mentira, disse a musa,

não pode ser trovador,

aquele que se recusa

nadar nas ondas do amor.

06

Eu te amo, diz certo nobre,

num palácio encantador.

Mas a choupana do pobre

é o berço do puro amor.

 

07

Os olhos da minha amada

tem tanto amor pra me dar,

que minha vida apagada,

se ilumina em seu olhar.

 

08

Teus olhos, quanta ternura,

quanto amor, quanta emoção!

Janela sublime e pura

do teu nobre coração.

 

09

Adeus, mundo de perversos,

semeadores da dor!

Vou partir, mas nos meus versos,

deixo a semente do amor.

 

10

Vivo à luz da poesia

num mundo de escuridão.

Plantando paz e alegria,

colhendo amor e emoção.

11

Indiferente ao sabor,

bebo, na taça da vida,

o mel do passado amor,

o fel de sua partida.

 

12

Tirei do peito a amargura

e até as dores do amor.

Lavei-me na fonte pura:

o sangue do Redentor.

 

13

O meu pranto é poesia;

rima nobre é minha dor.

E, por não ter alegria,

eu faço versos de amor.

 

14

Feliz, ouvi, nesta vida,

alguém a dizer-me: - Eu te amo!

Depois veio a despedida.

Desse amor hoje eu reclamo.

 

15

Constante nas minhas veias,

ouro de nobre filão

é aquele amor que faz teias

dentro do um coração.

16

Chorando eu fiz poesia

nas agruras do sertão,

tentando por alegria

e amor em meu coração.

 

17

Felicidade, quem dera!

Deste mundo de amargor

trocarmos, do seio, a fera,

por lindos versos de amor.

 

18

Amor é vaso sagrado

onde se planta uma flor.

Às vezes vem o pecado

regar com pranto e rancor.

 

19

O que acontece no mundo

eu registro no meu ser,

por força do amor profundo

que muito me faz sofrer.

 

20

Carrego tanta ternura

num peito cheio de amor,

que a mais cruel amargura,

do mundo, perde o valor.

21

Vive escondida na terra

até nascer, linda flor.

Também num peito se encerra

semente de grande amor.

 

22

Vou seguindo a minha meta,

suportando a minha dor.

Quem mandou-me ser poeta,

e ser poeta do amor?

 

23

Sou forte, porém sou gente,

não me bata, por favor,

Porque talvez não aguente

estas lambadas de amor.

 

24

Assim que a lua surgir

eu vou partir de mansinho.

Vou ver meu amor sorrir

em troca do meu carinho.

 

25

Eu já gravei o meu verso,

de sublime inspiração,

lá no livro do universo

com amor e devoção.

26

No teu olhar de ternura

vejo um brilho formidável

que me prende, ó criatura,

ao teu amor indomávdl.

 

27

Do jeito que gira o mundo,

da forma que passa a vida,

domente um amor profundo

sustém minh’alma sofrida.

 

28

Tendo amor e poesia,

a mesa estará completa.

Não há melhor iguaria

no banquete do poeta.

 

29

Ser poeta é ser um santo,

é sorver, do mundo, a dor

e transformá-la num canto

de alegria, paz e amor.

 

30

Minha vida é um poema,

traço de união do amor.

Eu sou filho de Iracema

e de três o genitor.

 

Gilson Faustino Maia

 

sábado, 21 de maio de 2016

Um ano de amor - trovas de 01 a 31 de agosto


01

 

Eu transpiro poesia,

foi Deus que me fez assim.

Colocando a melodia

do amor bem dentro de mim.

 

02

 

Meu amor, quanto mistério

no teu rosto a decifrar.

Tão lindo, porém tão sério,

e capaz de encabular.

 

03

 

Vim de longe, do infinito,

trazendo amor pra você.

Você, de um modo esquisito,

recusou não sei por quê.

 

04

Amor é arte tão nobre

que até dispensa cultura.

É do rico, é do pobre

e sempre a gente a procura.

 

05

 

Coração que se embaralha

na rede cruel do amor,

o peito inteiro estraçalha

com seus murmúrios de dor.

 

06

 

Em juras de eterno amor,

acreditei num momento.

Foram juras sem valor,

falsidade, fingimento.

 

07

 

Eu sigo, na fantasia,

do amor, pela longa estrada,

transportando poesia

em busca da minha amada.

 

08

 

Amor é circo, eu bem sei,

no qual eu sou um palhaço.

No picadeiro encontrei

o pranto, a dor o fracasso.

 

09

 

Amor, presente divino,

bendita luz da amplidão.

Vem, por força do destino,

brilhar no meu coração.

 

10

 

Meu amor, que sorte a tua!

Como é feliz teu viver!

Tens a beleza da lua

no olhar que me faz sofrer.

 

11

 

Amor, sublime presente

que Deus ao mundo doou.

Tanto fiz que, finalmente,

meu coração te encontrou.

 

12

 

Eu choro as dores da terra.

A ausência, eu choro, do amor,

que nos traz a fria guerra,

o pranto, o ódio, o rancor.

 

13

 

Quando o amor na madrugada,

invade o meu barracão,

o riso da minha amada

embala o meu coração.

 

14

 

Vou remexer com ardor

toda a minha inspiração,

para brindar meu amor

com versos de gratidão.

 

15

 

Eu abro a minha janela,

não vejo amor, só tristeza.

Vejo o que fazem com ela,

com minha mãe natureza.

 

16

 

Toda tristeza, parece,

que eu transporto no meu ser.

Logo que o amor acontece,

tende a desaparecer.

 

17

 

Quando o amor se faz presente

na vida de um sonhador,

o transforma, de repente,

num sensível trovador.

 

18

 

Amor, poema divino,

que Deus, poeta maior,

fez, do mundo, no destino

e a gente sabe de cor.

 

19

 

Vivo num mundo de sonho,

num festival de ilusão.

Carrego um rosto risonho

e o amor no meu coração.

 

20

 

Meu coração pulsou forte

quando, com mão assassina,

pretendeu, do verso, a morte,

quem era um amor de menina.

 

21

 

O pescador, lá no mar,

canta com voz comovida:

-Meu amor, vou navegar

pelos caminhos da vida!

 

22

 

A brisa traz lá do inferno

o mais estranho recado:

vem rimando o amor mais terno

com a palavra pecado.

 

23

É noite de tempestade

no meu pobre coração.

Meu grande amor, por maldade,

deixou-me na solidão.

 

24

 

Quem juras de amor não canta,

neste mundo, só vegeta.

Não devemos, na garganta,

prender o dom de poeta.

 

25

 

A minh’alma tão sofrida

faz do amor, com tristes ais,

na partitura da vida,

Oito notas musicais

 

           

26

 

Confesso, por brincadeira,

disse: -Amor não vou voltar!

Mas a sorte traiçoeira

fez, na verdade, eu ficar.

 

27

 

Ai, quem me dera os compassos

da vida, um dia acertar;

ter meu amor nos meus braços

numa noite de luar!

 

28

 

Quando na noite eu me vejo

longe do amor e do sonho,

vem a saudade do beijo

tornar meu mundo medonho.

 

29

 

Se acaso um dia o meu verso

pudesse amor ir buscar

lá no fundo do universo,

faria o mundo cantar.

 

30

 

Sigo nas asas do vento,

por amar com tanto ardor,

levando em meu pensamento,

poesia, paz amor.

 

31

 

Quando um verso é pequenino,

tendo amor no coração?

É como olhar de menino,

não se mede a dimensão.

 

Gilson Faustino Maia