01
Na intimidade das trovas,
quem penetrar pode achar,
nas rimas, todas as provas
do amor que eu tenho pra dar.
02
Um raio de poesia
corta o azul da imensidão.
É a força que principia
no amor do meu coração.
03
Plantei semente do amor
no jardim da mocidade.
Nasceu, e a singela flor,
pus na jarra da saudade.
04
O mundo geme, entretanto,
no meio de tanta dor.
Eu me escondo sob o manto
destas trovinhas de amor.
05
É mentira, disse a musa,
não pode ser trovador,
aquele que se recusa
nadar nas ondas do amor.
06
Eu te amo, diz certo nobre,
num palácio encantador.
Mas a choupana do pobre
é o berço do puro amor.
07
Os olhos da minha amada
tem tanto amor pra me dar,
que minha vida apagada,
se ilumina em seu olhar.
08
Teus olhos, quanta ternura,
quanto amor, quanta emoção!
Janela sublime e pura
do teu nobre coração.
09
Adeus, mundo de perversos,
semeadores da dor!
Vou partir, mas nos meus versos,
deixo a semente do amor.
10
Vivo à luz da poesia
num mundo de escuridão.
Plantando paz e alegria,
colhendo amor e emoção.
11
Indiferente ao sabor,
bebo, na taça da vida,
o mel do passado amor,
o fel de sua partida.
12
Tirei do peito a amargura
e até as dores do amor.
Lavei-me na fonte pura:
o sangue do Redentor.
13
O meu pranto é poesia;
rima nobre é minha dor.
E, por não ter alegria,
eu faço versos de amor.
14
Feliz, ouvi, nesta vida,
alguém a dizer-me: - Eu te amo!
Depois veio a despedida.
Desse amor hoje eu reclamo.
15
Constante nas minhas veias,
ouro de nobre filão
é aquele amor que faz teias
dentro do um coração.
16
Chorando eu fiz poesia
nas agruras do sertão,
tentando por alegria
e amor em meu coração.
17
Felicidade, quem dera!
Deste mundo de amargor
trocarmos, do seio, a fera,
por lindos versos de amor.
18
Amor é vaso sagrado
onde se planta uma flor.
Às vezes vem o pecado
regar com pranto e rancor.
19
O que acontece no mundo
eu registro no meu ser,
por força do amor profundo
que muito me faz sofrer.
20
Carrego tanta ternura
num peito cheio de amor,
que a mais cruel amargura,
do mundo, perde o valor.
21
Vive escondida na terra
até nascer, linda flor.
Também num peito se encerra
semente de grande amor.
22
Vou seguindo a minha meta,
suportando a minha dor.
Quem mandou-me ser poeta,
e ser poeta do amor?
23
Sou forte, porém sou gente,
não me bata, por favor,
Porque talvez não aguente
estas lambadas de amor.
24
Assim que a lua surgir
eu vou partir de mansinho.
Vou ver meu amor sorrir
em troca do meu carinho.
25
Eu já gravei o meu verso,
de sublime inspiração,
lá no livro do universo
com amor e devoção.
26
No teu olhar de ternura
vejo um brilho formidável
que me prende, ó criatura,
ao teu amor indomávdl.
27
Do jeito que gira o mundo,
da forma que passa a vida,
domente um amor profundo
sustém minh’alma sofrida.
28
Tendo amor e poesia,
a mesa estará completa.
Não há melhor iguaria
no banquete do poeta.
29
Ser poeta é ser um santo,
é sorver, do mundo, a dor
e transformá-la num canto
de alegria, paz e amor.
30
Minha vida é um poema,
traço de união do amor.
Eu sou filho de Iracema
e de três o genitor.
Gilson Faustino Maia
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