sábado, 30 de abril de 2016

Um ano de amor - trovas de 01 a 31 de julho


01

 

Amor é fogo que queima,

é brasa viva que dura

dentro do peito onde reina,

desde o berço à sepultura.

 

02

 

Não há, ó musa, argumento

pra descrever todo amor

que vejo no firmamento

feito por Nosso Senhor.

 

03

 

Eu fui peteca no amor,

a vida me fez assim:

sempre jogado ao sabor

de brisa boa ou ruim.

 

04

Eu carrego há muito tempo

a fama de ganhador,

mas ninguém viu, por exemplo,

quantas derrotas no amor!

 

05

 

Esse amor não sabe quanto

sufoca todo o meu ser.

É preciso ser um santo

para aturar meu viver.

 

06

 

Plantei, um dia, a semente,

nasceu o fruto do amor.

Cresceu, virou de repente

um novo reprodutor.

 

07

 

Meu pranto eu guardo escondido

onde ninguém há de achar:

dentro do peito sofrido

aonde o amor veio morar.

 

08

 

Andei, andei sem cessar

pelas campinas em flor,

com pranto sempre a regar

as tristes flores do amor.

 

09

 

Um dia eu disse sorrindo:

jamais, jamais hei de amar!

Mas quando o amor foi surgindo,

eu tive que me entregar.

 

10

 

Meu coração, coitadinho,

tão longe do teu olhar,

sem amor e sem carinho,

vive triste a palpitar.

 

11

 

Eu disse: -Adeus, meu amor,

vou buscar novo horizonte,

vou afogar minha dor

na mais alta e pura fonte.

 

12

 

O teu sorriso, querida,

com todo amor emoção,

é flecha que nesta vida

cravaste em meu coração.

 

13

 

Sonhador, desde menino,

eu sonhava achar um meio

de, pela mão do destino,

plantar amor em teu seio.

 

14

 

Canto tal qual no arvoredo

fugindo a dor da paixão,

a ave oculta o segredo

do amor em sua canção.

 

15

 

Era tão nobre o meu sonho,

sonhava com meu amor,

mas este mundo medonho

destruiu meu peito em flor.

 

16

 

Teus olhos, que formosura!

Quanta beleza, meu Deus!

Refletem toda a ternura,

todo amor dos olhos meus.

 

17

 

Um sonho eu trago no peito,

mergulhado em minha dor:

viver num mundo perfeito,

num paraíso de amor.

 

18

 

Eu vejo a luz do luar

nos teus olhos de fulgor.

Fica o meu peito vibrar

no doce acorde do amor.

 

19

 

Eu trago, pra meu tormento,

esta alma de trovador,

Rimando meu sofrimento

com a magia do amor.

 

20

 

Pare, tristeza maldita,

não me venha atormentar

com a saudade infinita

do amor que me faz chorar.

 

21

 

Será que não sabe, o mundo,

o que o poeta descreve

com seu amor tão profundo

na terra em giro tão breve?

 

22

 

Amor, não fuja da terra!

Segura o mundo, por Deus!

Não deixe que a fria guerra

destrua esses sonhos meus.

 

23

 

Saudade é coisa que mora

no meu peito tão chorão,

por um amor que apavora

meu mundo de solidão.

 

24

 

Dormindo, eu sonho com ela,

carregadinha de amor:

a musa, tão meiga e bela,

deste humilde trovador.

 

25

 

Sou forte feito um gigante,

valente e destruidor,

mas perco a força no instante

que me aproximo do amor.

 

26

 

A lua, rainha bela,

do amor, a deusa de prata,

com esta trova singela,

cumprimento em serenata.

 

27

 

Vem musa, suave amiga,

dos meus versos, meiga flor,

à tua morada antiga:

meu peito, um ninho de amor.

 

28

 

Quem chora, tem sentimento,

vivo de lenço na mão,

pois meu amor, que tormento,

desprezou meu coração.

 

29

 

Meu tempo nunca é de sobra.

Não perco tempo a vagar.

Passo a vida na grande obra

de amor nos versos plantar.

 

30

 

Eu planto amor no poema,

(tarefa dada por Deus)

Que destinou Iracema

dar à luz os sonhos meus.

 

31

 

A mão que planta uma rosa

é ferramenta do amor.

Quem faz a bomba horrorosa,

não é de Nosso Senhor.

 

Gilson Faustino Maia

 

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