sábado, 9 de abril de 2016

Um ano de amor - trovas de 01 a 30 de junho


               01

 

Pelos caminhos do mundo,

no reino imenso do amor,

um sentimento profundo

faz-me feliz trovador.

 

 

02

 

Amor é lago atraente

onde eu pretendo nadar,

mesmo sabendo que a gente

costuma, ali, se afogar.

 

 

03

 

Por um simples passarinho

fiquei sabendo, e com medo:

foi visto o nosso carinho,

nosso amor não é segredo.

 

 

04

 

Neste teatro da vida,

já cansei de ser ator

e de atuar na fingida

novela do nosso amor.

 

 

05

 

Olho o céu – é linda a lua!

Olho o mar – e que esplendor!

Eu, porém, na imagem tua,

não vejo sinais de amor.

 

 

             06

 

Um dia a sorte madrasta

abusou da ocasião,

e sorrindo disse: basta

de amor no teu coração.

 

 

07

 

Já vem o dia raiando;

a negra noite acabou,

mas continuo chorando,

pois meu amor não voltou.

 

 

08

 

Lá vai na serra o trenzinho,

levando o meu grande amor.

Leva pra longe o carinho,

deixa, comigo, esta dor.

 

 

09

 

Disseste adeus e partiste;

meu peito, amor, não gostou.

Minh’alma ficou tão triste

que em prantos se transformou.

 

 

10

 

Dizem ser grande tolice,

crer, do amor, na perfeição.

Sei, porém, que essa crendice

sustenta o meu coração.

 

 

              11

 

Disseste não certo dia

a quem amor quis te dar;

destruíste a poesia

que podias me inspirar.

 

 

12

 

Não sei se posso ou se devo

num verso, amor colocar;

gravar, assim, no que escrevo,

tudo o que eu quero te dar.

 

 

13

 

Santo Antônio, nobre amigo,

eu te peço com fervor:

sejas bonzinho comigo,

trazendo o meu grande amor.

 

 

14

 

Parece até ironia,

mas é fato comprovado:

quanto amor que principia

sempre no momento errado!

 

 

15

 

Lá vem a lua de prata,

procurando ser feliz,

ao zombar da serenata,

que ouvir, meu amor não quis.

 

 

              16

 

Meu amor, por que partiste

tão cedo, sem me avisar,

deixando-me, assim, tão triste,

antes da festa acabar?

 

 

17

 

Para mim, felicidade

sem amor no coração,

não existe, é falsidade,

é a mais profunda ilusão.

 

 

18

 

Falou-me um dia a cigana,

numa linda profecia,

que do céu o amor emana

para inspirar poesia.

 

 

19

 

Adeus, te disse sorrindo;

sorrindo me respondeste;

e o nosso amor que era lindo,

morreu e não percebeste.

 

 

20

 

Deito o meu corpo cansado

nas fibras do meu colchão,

e este amor, desesperado,

sufoca meu coração.

 

 

             21

 

Vivia sem endereço,

sem carinho e sem calor,

até sentir o começo

da nossa história de amor.

 

 

22

 

Amor é raio flamante

que nos queima o coração

de uma forma alucinante

que nos destrói a razão.

 

 

23

 

A paz talvez algum dia

a gente possa encontrar

se a grande filosofia

do amor, o mundo aceitar.

 

 

24

 

Dorme a tristeza em meu peito,

desde que o amor avistei,

naquele olhar tão perfeito

que finalmente encontrei.

 

 

25

 

Teu sorriso tão criança

transmite-me tanto amor,

que no meu peito a esperança

semeia singela flor.

               26

Nas dobras do meu caderno

teu nome guardo escondido,

pois nosso amor, puro e terno,

jamais será conhecido.

 

 

27

 

Por este mundo medonho

já fui rei, já fui senhor.

O rosto sempre risonho,

mas sempre escravo do amor.

 

 

28

 

Brincava à beira da praia,

olhava o mar com desdém,

mas teu amor, de tocaia,

obrigou-me a amar também.

 

 

29

 

Parece fogo, parece,

o que em teu olhar eu vejo.

mas é amor que enlouquece

e se transforma em desejo.

 

 

30

 

Procurei o amor no mundo,

desde a cidade ao sertão,

e fui achá-lo, profundo,

guardado em teu coração.

 

 

 

Gilson Faustino Maia

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