01
Pelos caminhos do mundo,
no reino imenso do amor,
um sentimento profundo
faz-me feliz trovador.
02
Amor é lago atraente
onde eu pretendo nadar,
mesmo sabendo que a gente
costuma, ali, se afogar.
03
Por um simples passarinho
fiquei sabendo, e com medo:
foi visto o nosso carinho,
nosso amor não é segredo.
04
Neste teatro da vida,
já cansei de ser ator
e de atuar na fingida
novela do nosso amor.
05
Olho o céu – é linda a lua!
Olho o mar – e que esplendor!
Eu, porém, na imagem tua,
não vejo sinais de amor.
06
Um dia a sorte madrasta
abusou da ocasião,
e sorrindo disse: basta
de amor no teu coração.
07
Já vem o dia raiando;
a negra noite acabou,
mas continuo chorando,
pois meu amor não voltou.
08
Lá vai na serra o trenzinho,
levando o meu grande amor.
Leva pra longe o carinho,
deixa, comigo, esta dor.
09
Disseste adeus e partiste;
meu peito, amor, não gostou.
Minh’alma ficou tão triste
que em prantos se transformou.
10
Dizem ser grande tolice,
crer, do amor, na perfeição.
Sei, porém, que essa crendice
sustenta o meu coração.
11
Disseste não certo dia
a quem amor quis te dar;
destruíste a poesia
que podias me inspirar.
12
Não sei se posso ou se devo
num verso, amor colocar;
gravar, assim, no que escrevo,
tudo o que eu quero te dar.
13
Santo Antônio, nobre amigo,
eu te peço com fervor:
sejas bonzinho comigo,
trazendo o meu grande amor.
14
Parece até ironia,
mas é fato comprovado:
quanto amor que principia
sempre no momento errado!
15
Lá vem a lua de prata,
procurando ser feliz,
ao zombar da serenata,
que ouvir, meu amor não quis.
16
Meu amor, por que partiste
tão cedo, sem me avisar,
deixando-me, assim, tão triste,
antes da festa acabar?
17
Para mim, felicidade
sem amor no coração,
não existe, é falsidade,
é a mais profunda ilusão.
18
Falou-me um dia a cigana,
numa linda profecia,
que do céu o amor emana
para inspirar poesia.
19
Adeus, te disse sorrindo;
sorrindo me respondeste;
e o nosso amor que era lindo,
morreu e não percebeste.
20
Deito o meu corpo cansado
nas fibras do meu colchão,
e este amor, desesperado,
sufoca meu coração.
21
Vivia sem endereço,
sem carinho e sem calor,
até sentir o começo
da nossa história de amor.
22
Amor é raio flamante
que nos queima o coração
de uma forma alucinante
que nos destrói a razão.
23
A paz talvez algum dia
a gente possa encontrar
se a grande filosofia
do amor, o mundo aceitar.
24
Dorme a tristeza em meu peito,
desde que o amor avistei,
naquele olhar tão perfeito
que finalmente encontrei.
25
Teu sorriso tão criança
transmite-me tanto amor,
que no meu peito a esperança
semeia singela flor.
26
Nas dobras do meu caderno
teu nome guardo escondido,
pois nosso amor, puro e terno,
jamais será conhecido.
27
Por este mundo medonho
já fui rei, já fui senhor.
O rosto sempre risonho,
mas sempre escravo do amor.
28
Brincava à beira da praia,
olhava o mar com desdém,
mas teu amor, de tocaia,
obrigou-me a amar também.
29
Parece fogo, parece,
o que em teu olhar eu vejo.
mas é amor que enlouquece
e se transforma em desejo.
30
Procurei o amor no mundo,
desde a cidade ao sertão,
e fui achá-lo, profundo,
guardado em teu coração.
Gilson
Faustino Maia
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