domingo, 3 de setembro de 2017

Um ano de amor - trovas de 01 a 30 de novembro


01

Eu vim do mar, vim sozinho

Dizer ao povo da serra

Que paz, amor e carinho

Ainda existem na terra.

 

02

Com muita paz, alegria

E meu humano calor,

Eu trago, na poesia,

Minha mensagem de amor.

 

03

Quantos anos tem o mundo?

Você não sabe? Nem eu.

Mas sei de um amor profundo

Que você, tola, esqueceu.

 

04

Vou partir, meu barco à vela

Está prontinho no cais.

Adeus, amor de donzela!

Pois não voltarei jamais.

 

05

Nesse covil de ironia,

Nesse mar de ingratidão,

Inda existe a poesia,

Do amor, sublime oração;

06

Num mundo inteiro de amor,

Pelo menos, estou certo,

Existe instante de dor,

Do coração, muito perto.

 

07

Tal qual do seio da terra

Nasce a planta e fere o ar,

Também o amor que se encerra

No peito é para se dar.

 

08

Um amor, os embaraços

Já não posso suportar

Pois, distante dos teus braços,

Não posso continuar.

 

09

Nas cordas do violão

Guardo a tua alma escondida.

És, do amor, nobre canção

A embalar-me nesta vida.

 

10

Canta, cigarra faceira,

Canta alegre e sem temor.

Tu cantas dessa maneira,

Eu choro por meu amor.

11

Um amor, sem teu carinho

Neste mundo de aflição,

Sou tal qual ave sem ninho,

Da noite, na escuridão.

 

12

Da vida, eu abro a janela:

Tudo é belo e multicor!

Mas não há coisa mais bela

Que os olhos do meu amor.

 

13

Amor é forte veneno

Que Cupido pôs na lança.

Feriu meu peito moreno

Quando eu era inda criança.

 

14

Meu peito chora: é tristeza.

Meu amor, que ingratidão!

Deixou de lado a nobreza

E feriu meu coração.

 

15

Meu amor, quanta ternura

Encontrei no teu olhar!

És, sublime criatura,

Quem faz meu pranto secar.

16

As trovas simples que eu faço

Somente por distração,

Falam de pranto e cansaço,

Falam de amor paixão.

 

17

Eu juro, amor, que no jogo

Dos versos do coração,

Sou osso duro, sou fogo,

Não perco a competição.

 

18

Você maldiz o meu verso

Ou maldiz o trovador?

A rima vem do Universo

Carregadinha de amor.

 

19

Eu nasci lá na montanha

Onde o sol também nasceu.

Fiz, no amor, tanta façanha

Que até o sol se escondeu.

 

20

Chora o meu peito cansado

Por esse amor tão distante

Que põe minh’alma em pecado

Neste mundo delirante.

21

A cruz do amor eu carrego

No peito por grande sina;

Meu sentimento não nego

Àquela gentil menina.

 

22

Meu violão afinado

Chora de amor e saudade

Das noites do meu passado,

Do prazer da mocidade.

 

23

Meu verso partiu-se ao meio

Naquela noite tão fria

Porque meu amor não veio

Inspirar-me poesia.

 

24

Meu amor, quanta saudade!

Como é triste o meu viver!

Para mim, felicidade,

É viver sem te esquecer.

 

25

Amor é fardo pesado,

Difícil de carregar.

Mesmo assim, tão procurado

E sempre nos faz sonhar.

26

Disse adeus à poesia,

Às minhas trovas de amor.

Foi mentira, hipocrisia,

Pois já nasci trovador.

 

27

Nas folhas do meu caderno

Teu nome eu tenho gravado

Nas trovas do amor mais terno,

Com pranto, angústia e pecado.

 

28

Leva o gênio de poeta

Quem quiser falar de amor.

Não pode seguir a meta

Sem alma de trovador.

 

29

Se eu sacudir meu caderno

Meus versos caem no chão.

Se teu amor for mais terno,

Ganharás meu coração.

 

30

Quando eu vi a luz do dia

Brilhando lá na montanha,

Pensei, amor: - Que seria

Se tu surgisses risonha?


Gilson Faustino Maia

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