01
Por ser penoso esse jogo
do amor, se a mente não erra,
eu quero um carro de fogo
para fugir desta terra.
02
Meu coração não suporta
o que este amor determina:
abre pra mim uma porta
que é, de minh’alma, assassina.
03
Quero, do amor, o descanso;
fora do peito, a saudade.
Quero um destino bem manso,
um mar de tranquilidade.
04
O amor é fardo pesado
que temos que carregar,
desde que Adão, por pecado,
chamou Eva para amar.
05
Teu rosto sempre traduz
o que há em teu coração:
um amor que me seduz
e me cobre de paixão.
06
Naquelas águas serenas,
naquele barco a vapor,
naquelas tardes amenas,
vagava meu grande amor.
07
Se o amor sobre a terra existe,
por que jamais o encontrei?
Por que, do mundo, tão triste,
pelos caminhos vaguei?
08
Amor, quem dera, eu poder
neste mundo colocar;
fazer o povo aprender
viver somente pra amar.
09
Naquela rua onde eu moro,
mora, também, a tristeza;
por isso,amor, quando eu choro,
chora toda a natureza.
10
Mamãe, te dou meu carinho,
meu amor, meu coração.
tu me mostras o caminho
do bem, da paz, da oração.
(Para o dia das mães).
11
Por causa de uma menina
que tanto amor me projeta,
vou seguindo a minha sina,
fingindo que sou poeta.
12
O “A” de amor aprendi;
“M” foi mamãe quem fez.
O ”O” também consegui;
no “R” errei outra vez.
13
Sei que Isabel, a princesa,
aboliu a escravidão
usando o amor e a nobreza
que tinha em seu coração.
14
Quanta tristeza eu senti,
quando abri a minha porta,
lembrando o amor que perdi
nesta estrada escura e torta.
15
Gosto da chuva que cai;
gosto do sol e do vento;
gosto do amor que não sai
jamais do meu pensamento.
16
A chuva faz melodia
no teto do barracão.
Teu amor traz poesia
e paz ao meu coração.
17
Quando o sol, tão claro e ardente,
ilumina um rosto em flor,
no peito lança a semente
maravilhosa do amor.
18
Eu vi, do amor, a semente
plantada à beira do mar,
no teu olhar refulgente,
que tanto me faz sonhar.
19
Dos meus tempos de criança,
alheio às tramas do amor,
carrego tanta lembrança
que até virei trovador.
20
Talvez o fado maldito
que sempre o amor atrapalha,
termine lá no infinito
onde a vida se embaralha.
21
Quando eu nasci, não sabia
que havia tanta emoção,
nem, também, que conduzia
amor no meu coração.
22
Silêncio, lá na capela,
por destino traidor,
eu sei que aquela donzela
troca-me por outro amor.
23
Venha um outro cantador
tomar, enfim, meu lugar,
e, das manobras do amor,
novas trovinhas cantar.
24
No dia em que desta vida
partir pro reino do amor,
da paz, minh’alma sofrida,
encontrará o calor.
25
Gastei toda a poesia,
usei todo o meu talento,
quando o amor fez moradia
aqui no meu pensamento.
26
Se durmo, em sonhos de vejo;
se acordo, só penso em ti;
trouxeste amor desejo,
pergunto: por que fugi?
27
Não sei qual foi a semente
que tu quiseste plantar,
só sei que o amor, de repente,
Fez o meu peito sonhar.
28
Nunca o amor foi tão perfeito;
nunca tão grande a emoção.
Carrego dentro do peito
as marcas no coração.
29
Quando eu vim da minha terra,
trouxe amor pra te ofertar,
nas dobras, que o peito encerra,
de um coração singular.
30
Sentado à beira da praia,
vendo o mar com seu furor,
a gente quase desmaia
ao lembrar o ausente amor.
31
Felicidade consiste,
na vida de um trovador,
em trocar a rima triste
por trovas de puro amor.
Gilson Faustino Maia
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