domingo, 3 de setembro de 2017

Um ano de amor - trovas de 01 a 31 de dezembro


01

 

O meu amor fez pirraça

Tentando me machucar;

Porém, num golpe de raça,

Eu consegui me livrar.

 

02/l98l

 

Dois de dezembro, quarenta.

A minha idade, o Senhor,

No livro da vida assenta,

Por seu infinito amor.

 

03

Começa a vida aos quarenta,

Portanto, tenho um só dia.

Mas o amor já se apresenta

Em forma de poesia.

 

04

 

Sou forte, sou invencível

No jogo duro do amor;

Mas esse gênio terrível

Perturba esse trovador.

 

05

 

Vou devagar nesta meta

De amor, nos versos, cantar.

Minha sina é ser poeta

Das letras do verbo amar.

 

06

 

O meu amor lá na praia,

Cantando me disse assim:

- Sou sereia de tocaia

Vou roubá-lo para mim.

 

07

 

No meu rosário de trovas

Já fiz a minha oração.

De um grande amor, já dei provas

De existir no coração.

 

08

 

Eu, que vivia esperando

Um grande amor encontrar,

Agora vivo abraçando

Quem tanto estive a esperar.

 

09

 

Lá vai um barco no mar

Meu grande amor transportando!

Fiquei triste a soluçar

Já por meu bem esperando.

 

10

 

Guardo na minha lembrança,

Dos teus olhos, o fulgor;

Mesmo não tendo esperança

De conseguir teu amor.

 

11

 

No peito de muita gente

Falta amor, falta alegria,

Quando falta, de repente,

A chama da poesia.

 

12

 

Me disse a musa: - Não basta

Ter alma de trovador.

É preciso n’alma a casta,

A singeleza do amor.

 

13

 

Chorou Sansão, foi vencido.

Seu braço forte, pendeu.

Na trama do amor, ferido,

Quanto tormento sofreu.

 

14

 

Saudade é coisa que mora

No meu peito sofredor.

Eu sei que minh’alma chora

A perda daquele amor.

 

15

 

Cigarra, Segue em teu canto!

Beija a rosa, ó beija-flor!

Vou derramando o meu pranto

Por causa daquele amor.

 

16

 

A musa disse sorrindo:

- Porque deste tanto amor,

Vou gravar um verso lindo

No teu peito sonhador.

 

17

 

O vento frio da serra

Esfria até a minh’alma.

Mas esse amor que se encerra

No meu peito, aquece e acalma.

 

18

Lá na folha da palmeira

Canta alegre o bem-te-vi,

Zombando, amor,da maneira

Que o teu beijo consegui.

 

19

 

Não faço versos por arte;

Transcrevo o meu pensamento

Quando o amor, modéstia a parte,

Toca forte em meu talento.

 

20

 

Nas quatro linhas da trova

De amor, santa inspiração,

A minh’alma se renova

E destrói a solidão.

 

21

 

Eu vi na terra um sinal

Quando eu era inda menino.

Mostrava o amor, sem igual,

Que seria um desatino.

 

22

 

Cantei meus versos na serra;

Cantei à beira do mar,

Pois o amor, do mundo, a guerra

Não consegue suportar.

 

23

 

Acaso será miragem,

Será mentira, será?

Do meu peito, aquela imagem,

Do amor, jamais sairá.

 

24

 

Voem meus versos pro Norte

Meus versos voem pro Sul.

Meu amor virá, por sorte,

Do infinito céu azul.

 

25

 

Eu canto à luz da alvorada;

Canto e, com muito calor,

No peito da minha amada,

Sepulto um grande amor.

 

26

 

Quando eu do mundo partir

(Ouça, amor, a profecia),

Irei pro céu a sorrir

Recitando poesia.

 

27

 

Um anjo disse sorrindo:

- Meu amigo trovador,

Tu, deste mundo partindo,

Terás, no céu, todo amor.

 

28

 

Na roleta desta vida,

No amor um verso apostei.

Por azar deu despedida,

Perdi tudo o que eu joguei.

 

29

 

Que fado o meu, fazer versos,

Usar minha inspiração.

Às vezes, mesmos aos perversos,

Falar de amor e paixão.

 

30

 

Fecho meu peito, afinal,

Pra que deixar ao relento

Esse amor universal,

Meu humano sentimento?

 

 

31

 

Este sublime rosário,

Um ano cheio de amor,

É o mais nobre relicário

Deste pobre trovador.

 

Gilson Faustino Maia

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário