11
A brisa me trouxe um dia
recado do meu amor:
-Venha depressa, dizia,
preciso do teu calor.
12
Meu amor brigou comigo,
que cruel situação!
Como é grande esse castigo,
como dói meu coração!
13
No amor eu pus poesia,
nas rimas, meu pensamento.
Nos lábios pus alegria,
nos olhos, meu sofrimento.
14
Já cantei na poesia
toda a ventura do amor.
Já cantei minha alegria,
já chorei a minha dor.
15
Quando eu falo em poesia,
para o mundo, para o amor.
A tristeza silencia,
cessa, do sol, o calor.
16
Ó meu amor, desta guerra
não vou levar nem chapéu.
Cansado do amor na terra
I rei te amar lá do céu.
17
Ó meu amor, vou partir,
meu peito chora a saudade,
pois vai minh’alma fluir
no rumo da eternidade.
18
Deixo na terra a semente
do amor, da paz, da oração
e vai, minh’alma, somente
transportando a solidão.
19
O Pai já me repreende
e me convida a voltar.
Mas, Deus-Amor, compreende
a força do verbo amar.
20
Travesso, desde menino,
amor, na terra, plantei,
mas colhi só desatino
e não o que semeei.
21
Acordei, hoje, bem cedo,
lembrando a farsa do amor.
Do futuro eu tive medo,
pois meu presente é de dor.
22
Meu sabiá, que tristeza
quando partiste, senti!
Acaso na natureza
não há amor por aqui?
23
O mar explode na praia
causando grande pavor.
A lua no mar desmaia
De inveja do meu amor.
24
Plante amor, do mar à serra,
não ligue à gente cruel,
pois quem te humilha na terra,
não vai te humilhar no céu.
25
Carrego, dentro do peito,
do amor, a figura estranha
que tropeça no respeito
e na vida se emaranha.
26
Meu peito é caverna escura
onde mora um louco amor,
que tem, porém, formosura
da mais delicada flor.
27
Amor é chuva que cai
no jardim do coração;
penetra fundo não sai
nem, do vento, à viração.
28
Por perceber certo dia
no teu olhar tanto amor,
foi da minha poesia,
teu olhar inspirador.
29
Eu vi, num morro, um menino
içando a pipa no ar.
Com que amor ao sol a pino
brincava a não mais fartar!
30
A vida é grande mistério,
o amor, voraz tentação.
Não tem razão nem critério
quando chega ao coração.
3l
O teu sorriso, menina,
balança o meu coração.
É teu olhar, pequenina,
fonte de amor e paixão.
Gilson Faustino Maia
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