sexta-feira, 25 de março de 2016

Um ano de amor - trovas de 11 a 31 de março


11

 

A brisa me trouxe um dia

recado do meu amor:

-Venha depressa, dizia,

preciso do teu calor.

 

 

12

 

Meu amor brigou comigo,

que cruel situação!

Como é grande esse castigo,

como dói meu coração!

 

 

13

 

No amor eu pus poesia,

nas rimas, meu pensamento.

Nos lábios pus alegria,

nos olhos, meu sofrimento.

 

 

14

 

Já cantei na poesia

toda a ventura do amor.

Já cantei minha alegria,

já chorei a minha dor.

 

 

15

 

Quando eu falo em poesia,

para o mundo, para o amor.

A tristeza silencia,

cessa, do sol, o calor.

 

 

16

 

Ó meu amor, desta guerra

não vou levar nem chapéu.

Cansado do amor na terra

I rei te amar lá do céu.

 

 

17

 

Ó meu amor, vou partir,

meu peito chora a saudade,

pois vai minh’alma fluir

no rumo da eternidade.

 

 

18

 

Deixo na terra a semente

do amor, da paz, da oração

e vai, minh’alma, somente

transportando a solidão.

 

 

19

 

O Pai já me repreende

e me convida a voltar.

Mas, Deus-Amor, compreende

a força do verbo amar.

 

 

20

 

Travesso, desde menino,

amor, na terra, plantei,

mas colhi só desatino

e não o que semeei.

 

21

 

Acordei, hoje, bem cedo,

lembrando a farsa do amor.

Do futuro eu tive medo,

pois meu presente é de dor.

 

 

22

 

Meu sabiá, que tristeza

quando partiste, senti!

Acaso na natureza

não há amor por aqui?

 

 

23

 

O mar explode na praia

causando grande pavor.

A lua no mar desmaia

De inveja do meu amor.

 

 

24

 

Plante amor, do mar à serra,

não ligue à gente cruel,

pois quem te humilha na terra,

não vai te humilhar no céu.

 

 

25

 

Carrego, dentro do peito,

do amor, a figura estranha

que tropeça no respeito

e na vida se emaranha.

 

26

 

Meu peito é caverna escura

onde mora um louco amor,

que tem, porém, formosura

da mais delicada flor.

 

 

27

 

Amor é chuva que cai

no jardim do coração;

penetra fundo não sai

nem, do vento, à viração.

 

 

28

 

Por perceber certo dia

no teu olhar tanto amor,

foi da minha poesia,

teu olhar inspirador.

 

 

29

 

Eu vi, num morro, um menino

içando a pipa no ar.

Com que amor ao sol a pino

brincava a não mais fartar!

 

 

30

 

A vida é grande mistério,

o amor, voraz tentação.

Não tem razão nem critério

quando chega ao coração.

 

3l

 

O teu sorriso, menina,

balança o meu coração.

É teu olhar, pequenina,

fonte de amor e paixão.

 

 

Gilson Faustino Maia

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