sábado, 5 de março de 2016

Um ano de amor - trovas de 01 a 10 de março


01

O trem apita na serra

e faz a mata tremer.

O meu amor só faz guerra

quando não pode me ver.

 

02

O amor é coisa que a gente

não sabe a força que tem.

Só mesmo quando se sente

vontade de querer bem.

 

03

O amor é flecha encantada

que nos fere sem razão

e não deixa quase nada

das fibras do coração.

 

04

Eu disse um dia à cigarra:

-Cantando, assim, sem parar,

será difícil, na farra,

um grande amor encontrar.

 

05

É como um charuto, o amor,

na boca do beberrão:

rola, rola e, sofredor,

se esfuma lá na amplidão.

 

06

Quem amar os seus amigos,

disse Cristo, o Rei do amor,

e, também, os inimigos,

no Céu terá mais valor.

 

07

Amor antigo se esquece

no fundo do coração;

Se gente agita, padece,

pois sobe a recordação.

 

08

Vi a estrela certo dia,

de inveja, no céu brilhar;

pois o meu amor sorria

de maneira singular.

 

09

Um novo amor há quem diga,

nada pode conseguir,

se alguma dorzinha antiga,

no peito ainda existir.

 

10

O meu amor vai embora,

está de malas na mão;

nem vê que minh’alma chora

e sofre o meu coração.

 

 

Gilson Faustino Maia

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