01
O trem apita na serra
e faz a mata tremer.
O meu amor só faz guerra
quando não pode me ver.
02
O amor é coisa que a gente
não sabe a força que tem.
Só mesmo quando se sente
vontade de querer bem.
03
O amor é flecha encantada
que nos fere sem razão
e não deixa quase nada
das fibras do coração.
04
Eu disse um dia à cigarra:
-Cantando, assim, sem parar,
será difícil, na farra,
um grande amor encontrar.
05
É como um charuto, o amor,
na boca do beberrão:
rola, rola e, sofredor,
se esfuma lá na amplidão.
06
Quem amar os seus amigos,
disse Cristo, o Rei do amor,
e, também, os inimigos,
no Céu terá mais valor.
07
Amor antigo se esquece
no fundo do coração;
Se gente agita, padece,
pois sobe a recordação.
08
Vi a estrela certo dia,
de inveja, no céu brilhar;
pois o meu amor sorria
de maneira singular.
09
Um novo amor há quem diga,
nada pode conseguir,
se alguma dorzinha antiga,
no peito ainda existir.
10
O meu amor vai embora,
está de malas na mão;
nem vê que minh’alma chora
e sofre o meu coração.
Gilson Faustino Maia
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